A Justiça Federal imitiu a Superintendência Regional do Incra em Goiás na posse da Fazenda Palmeiral, no município de Uruaçu (região norte do Estado, 380 quilômetros de Goiânia), na última quarta-feira (2).

O imóvel, de 1,5 mil hectares, foi desapropriado por interesse social para fins de reforma agrária. O Incra indenizará os ex-proprietários da área com R$ 3,8 milhões, já abatido o valor do passivo ambiental.

A partir da publicação do ato no Diário Oficial da União, o Incra/GO inicia o processo de criação e implantação de um assentamento da reforma agrária no local. 

A estimativa é que o futuro assentamento abrigue até 34 famílias de trabalhadores rurais, ligados à Federação de Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado de Goiás (Fetaeg).

 

Desapropriação amigável
O imóvel tem uma represa perene e seis açudes intermitentes. De acordo com o laudo agronômico feito pelos peritos federais do Incra/GO, as atividades econômicas mais indicadas para a área são a olericultura (horta), fruticultura, silvicultura, apicultura e pecuária.

A desapropriação da fazenda Palmeiral ocorreu de forma amigável com os ex-proprietários. Ainda assim, o processo tramitou na Justiça Federal durante seis anos.

 

Reforma agrária em Uruaçu
O município de Uruaçu conta com duas áreas de reforma agrária, os assentamentos Sebastião Rosa da Paz e José Roberto dos Santos. Juntos, os dois abrigam 55 famílias camponesas.  

Cantor Lenine encantado por espécie de orquídea no assentamento

Cantor Lenine encantado por espécie de orquídea no assentamento

Interesse, simpatia e simplicidade. Essas três palavras resumem bem a passagem de Lenine pelo assentamento Vitória, localizado no município de Goianésia, distante 170 quilômetros de Goiânia, na região central do estado.

O cantor e compositor pernambucano foi ao assentamento conhecer o projeto Verde Vida, de desenvolvimento sustentável e educação ambiental.

O projeto, fruto da parceia entre a Associação de Moradores do Assentamento e a  Organização Não Governamental (ONG) Gente do Cerrado, é financiado pela Petrobras. Lenine percorreu as parcelas 60, 53, 26, 25, 19 e 15 para conhecer a experiência dos assentados com os Sistemas Agrossilvipastoril  e Agroflorestal, que, em síntese, significa uso e manejo simultâneo de recursos naturais em associação com cultivos agrícolas e/ou animais de forma compatível, e com o modelo de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável – PAIS, que é um sistema de horta em forma de anéis (circular). Nesta mandala, são plantadas várias culturas diferentes, integrado com a criação de pequenos animais (pato, galinha, etc) e com um quintal de frutíferas.

O cantor inaugurou o Banco de Sementes do assentamento, que funcionará em casa centenária.

O cantor inaugurou o Banco de Sementes do assentamento, que funcionará em casa centenária.

O cantor visitou o Banco de Sementes “Casa Branca”, instalado numa construção colonial que os moradores acreditam ser centenária, e um viveiro de preparação de orquídeas para reintrodução no habitat natural. Neste momento, conversou com crianças e jovens que participam do projeto, como monitores mirins. Também foi ver de perto o cercamento das áreas de nascente e de Preservação Permanente e Reserva Legal.

Na parcela 60, tocada pelo casal Natal e Márcia, Lenine finalizou a construção de um canteiro bio-séptico, plantando uma das bananeiras que compõe este sistema ecológico de tratamento de esgoto (círculo da bananeira).

Em todos os ambientes, manteve-se interessado e atento às explicações dos técnicos do projeto Verde Vida. Muito à vontade com as pessoas do local, não se furtou em fazer brincadeiras, tirar fotos e autografar caderninhos.

Lenine observa o canteiro bio-séptico onde serão plantadas bananeiras.

Lenine observa o canteiro bio-séptico onde serão plantadas bananeiras.

Lenine acredita que as mudanças começam num universo menor (micro) e caminham para o macro, sempre passando pelo foco da educação. “Aqui – falou referindo-se ao assentamento – é muito especial porque a gente vê que as pessoas tomaram posse e fazem isso gerar. Essa ocupação da terra é muito bonita!”, afirmou.

No Vitória, 57 das 61 famílias de trabalhadores rurais que moram no local participam ativamente da implantação das melhorias advindas com o projeto Verde Vida, que mescla atividades teóricas e práticas de desenvolvimento sustentável e educação ambiental.

Refresco

lenine_visita_assentamento_goianesia_aguaAntes do almoço, realizado na parcela 19, onde fica o Balneário Santa Família, recanto de lazer existente no assentamento, ele e toda sua equipe de Produção não se intimidaram e entraram nas águas cristalinas e geladas do Ribeirão Santa Família.

A última visita foi na parcela 15, onde embrenhou-se no Cerrado para regozijar-se com  várias espécieis de orquídeas. Lenine define-se com “orquidoido” e de longe sabe reconhecer e diferenciar tipos destas flores.

Ele ficou encantado com a riqueza vegetal e preservação do espaço encontrado no assentamento Vitória.

Funcionamento do Verde Vida

Ao longo de dois anos, a Petrobras repassará cerca de R$ 3,5 milhões para financiar o projeto Vida Verde no assentamento Vitória. Por meio do Petrobras Ambiental, a Associação Gente do Cerrado já desenvolveu ações similares nos assentamentos Poções (Rialma); Oriente (Nova Glória); Nova Aurora (Santa Isabel) e Presente de Deus (Goianésia).

Além dos benefícios para a natureza, o projeto entregou uma patrulha agrícola, composta por trator, grade, carreta, niveladora e perfuradora de solo, etc, para os assentados.

Visita a projetos socioambientais

Lenine realizou uma turnê por 12 projetos socioambientais pelo Brasil. A última parada foi em Goianésia, no projeto Verde Vida. A intenção é estar próximo das comunidades, gestores, técnicos e, claro, para fazer o que mais gosta: música. “A arte é um instrumento de aproximação poderoso por uma sociedade mais justa, gosto de acreditar que a minha música vai além do que meramente canto”, explica o cantor, que também é botânico autodidata, colecionador de orquídeas e apoiador engajado de grupos de preservação ambiental.

Visita ao assentamento Vitória encerrou turnê do cantor Lenine por 12 projetos sócio-ambientais.

Visita ao assentamento Vitória encerrou turnê do cantor Lenine por 12 projetos sócio-ambientais.

Os “Encontros Socioambientais com Lenine” percorreram as 5 regiões do país e passaram pelo projeto “Floresta Sustentável”, na Praia do Forte, e “Orquestra Jovem”, ambos na Bahia, “Tecendo uma Rede de Cidadania” (MG), “Centro de Referência de Esporte Educacional” (RS), “Mantas do Brasil” (SP), “Pé de Pincha” e “Bois Vermelho e Azul” (AM), “Pesca Solidária” (CE), “Meros” (ES), “Bichos do Pantanal” (MT), “Caranguejo Uça” e “Projeto Diferentes Talentos” (RJ) e “Comunidade Produção e Renda” (MA). Toda essa extensa agenda conta com a parceria e o patrocínio da Petrobras, através do Programa Socioambiental.

 

Em cada local, são dois dias de ações. No primeiro dia, o cantor visita o projeto anfitrião, conhece a história dos vários projetos da região, assim como seus representantes e parceiros locais. O encerramento se deu com um show gratuito, onde Lenine revisita seu repertório para mostrá-lo ao público de uma maneira intimista, no formato voz e violão.

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O Incra em Goiás recebeu a posse da fazenda Bacaba e Lama Preta, localizada entre os municípios de São Miguel do Araguaia e Luiz Alves, região norte do estado. A escritura de compra em nome do órgão foi lavrada no Cartório de Registro de Imóveis e Tabelionato 1º de Notas, na comarca de São Miguel do Araguaia, no último dia 15. Em breve, o Incra/GO criará um novo assentamento na propriedade. 

O imóvel que sediará o futuro assentamento tem mais de 5 mil hectares e poderá receber até 171 famílias camponesas. 

Serão beneficiados com a área os trabalhadores rurais do acampamento Lindalva Esperança, na BR-164, entre São Miguel e Mundo Novo, ligados à Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar de Goiás (Fetaeg).

As famílias aguardam pela terra há cerca de 9 anos, enfrentando o calor e o frio das lonas pretas, a precariedade de trabalhos temporários, além de três incêndios e mais de oito acidentes de trânsito na rodovia.

Detalhes O perfil agroeconômico da fazenda é voltado para a bovinocultura (leite e carne), apicultura, criação de frango e cultivo de mandioca. A propriedade está as margens dos rios Araguaia (lado direito) e Verde (esquerdo), além de contar com 24 represas, 14 cacimbas (poços perenes) e várias nascentes. A área também é cortada pela BR-080, que está sendo finalizada e fará a ligação entre os estados de Goiás e Mato Grosso.

Turismo rural De acordo com Marcos José da Silva, presidente do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de São Miguel do Araguaia, e futuro morador do assentamento, as famílias que ocuparão a área estão vivendo momentos de “pura felicidade”.

Além do cultivo da terra, Silva conta que os planos são de investir nos turistas que visitam a região do Araguaia. Eles pensam em montar um mercadinho, loja de artesanato, restaurante e lanchonete às margens da rodovia que passa pela fazenda.

Com a aquisição de mais esta área, o superintendente do Incra/GO, Jorge Tadeu Jatobá Correia, destaca que o Incra avança na consolidação da reforma agrária em Goiás e torna o sonho de trabalho fixo e casa própria de várias famílias mais real. Atualmente, o estado conta com mais de 290 assentamentos e cerca de 13 mil famílias beneficiárias da reforma agrária.

A fazenda Bacaba e Lama Preta foi adquirida pelo Incra/GO pela modalidade compra, regulamentada pelo decreto 433, de 1992. A autarquia pagou R$ 23,5 milhões pelo imóvel, já descontado o valor do passivo ambiental, no valor de R$ 328.105,40.

Processo de compra e venda é participativo e consensual 
Toda vez que o Incra adquire uma fazenda pelo processo de compra e venda realiza realiza audiência pública com a participação de mais de 15 instituições, entre órgãos de controle, entidades representativas dos trabalhadores rurais, autoridades estaduais e municipais, além de entidades como o Crea, OAB, Ministério Público e Polícia Federal, entre outros.

Diferente da desapropriação, o processo de aquisição é consensual e sem demandas judiciais. As áreas são ofertadas pelo proprietário ao órgão ou o Incra faz uma proposta pela área. Somente fazendas produtivas podem ser adquiridas via Compra e Venda.

Antes de fechar negócio, os peritos agrários do Incra visitam o local e verificam se a propriedade tem boas condições para desenvolvimento de agricultura e/ou pecuária. A autarquia faz a avaliação das áreas com base no mercado de terras da região. A terra nua é paga em títulos do Governo Federal e as benfeitorias, em dinheiro. O procedimento é regulado pelo Decreto 433/92.

Assentados e quilombolas interessados cursar Direito na turma especial criada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) devem ficar atentos ao calendário do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

A UFPR utilizará as notas do Exame para selecionar, em 2015, os 60 integrantes da turma especial, aberta em parceria com o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera).

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As inscrições ao Enem foram abertas hoje (12) e terminam no dia 23 de maio. O candidato deverá se inscrever somente pelo site oficial. As provas serão aplicadas nos dias 08 e 09 de novembro, na cidade indicada no ato da inscrição.

Durante o registro no site do Enem, o candidato deve informar o número do CPF, número do documento de identidade (RG), endereço de e-mail, cidade onde deseja fazer a prova e o idioma para questões de língua estrangeira.

Edital

Podem se candidatar a uma vaga na turma especial os trabalhadores rurais assentados ou seus filhos e os membros de comunidades quilombolas que concluíram ou estejam cursando o último ano do ensino médio.

A UFPR publicará um edital para que os candidatos a uma vaga na turma especial informem dados pessoais, número de inscrição no Enem e documento do Incra confirmando que é beneficiário da reforma agrária ou quilombola. A partir das maiores notas no Exame, a universidade vai selecionar os 60 integrantes da turma.

O curso de Direito terá duração de cinco anos. Durante esse período os alunos terão direito a bolsas de estudos, através do Pronera, além de receberem auxílio-moradia, alimentação e permanência.

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O mundo acordou mais triste no sábado. Na noite de sexta-feira, Dom Tomás Balduíno nos deixou. Só na parte física, é evidente. Pois seu exemplo, suas lutas em 91 anos de vida permanecem de forma eterna.

Sempre que alguém se posicionar em uma disputa a favor do mais frágil, Dom Tomás estará presente. Sempre que alguém levantar a voz contra os poderosos na defesa do povo, Dom Tomás estará presente. Sempre quando um indígena ou um pequeno trabalhador rural for tratado com respeito e carinho, Dom Tomás estará presente. O seu sorriso, bom humor e sabedoria nos acompanharão sempre que nos posicionarmos de forma cristã perante as injustiças.

A vida desse grande homem é tão rica em simbolismo que ele faleceu no dia 02 de maio – parece que ele ainda queria passar mais um Dia do Trabalhador junto do povo para o qual dedicou sua vida.

A superintendência regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Goiás deve muito a Dom Tomás. Sempre que ele visitava nossa sede no Setor Santa Genoveva, era motivo de grande alegria. Nossos servidores o respeitavam profundamente, como toda sociedade brasileira. Ele nunca apresentou um pedido que não tivesse como fim resolver problemas dos mais carentes. E sempre contava com todos nossos esforços para que suas demandas fossem atendidas.

Ele é tão querido pelos trabalhadores rurais assentados da reforma agrária em nosso estado, e em especial na Cidade de Goiás onde era bispo emérito, que o Assentamento São José do Ferreirinho na antiga capital se chamará agora Assentamento Dom Tomás Balduíno por iniciativa das famílias que ali vivem. A bem da verdade, ele voltará a ter o nome em homenagem ao religioso. O assentamento tinha o nome de Dom Tomás, mas por recomendação do Ministério Público Federal de Goiás a homenagem a personalidades vivas não era legalmente aceitável.

Sempre nos encontrávamos também nas visitas aos assentamentos e acampamentos de todo estado. Nem a saúde debilitada pela corajosa luta contra o câncer o impedia de se deslocar por estradas de terra na defesa da reforma agrária em Goiás. Ele ia a locais ermos para se solidarizar com as pessoas que enfrentavam dificuldades, conversar com fazendeiros em disputas de terra, usar de sua rede de contatos para preservar a vida de quem estava em situação de fragilidade em um confronto.

A vida de Dom Tomás deve ser um referencial para todos que desejamos uma sociedade mais justa, com menos desigualidade e oportunidades iguais para todos, independente de onde nasceram. Dom Tomás lutou por isso e deixou sua marca na história. Que seus ensinamentos e exemplo se perpetuem no coração das novas gerações.

Jorge Tadeu Jatobá,
Superintendente regional do Incra em Goiás

Estão prorrogadas, até o dia 16 de maio de 2014, as inscrições ao processo seletivo simplificado Incra/UFG de educadores para atuarem em áreas da reforma agrária e acampamentos de trabalhadores rurais sem terra.

São oferecidas 45 vagas, com bolsas ou remuneração de R$ 1.080,00 para educadores (20 horas semanais) e de R$ 1.440,00 para coordenadores (20 horas semanais).

Os profissionais aprovados integrarão o Projeto Educação e Cidadania: Primeiro segmento de EJA e formação de professores em Goiás numa proposta de educação do campo, criado a partir do termo de cooperação firmado entre o Incra e a UFG em dezembro de 2011, com recursos do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária, o Pronera.

Os selecionados serão distribuídos em 17 municípios e atenderão 33 assentamentos e 2 acampamentos.

Cada um dos 45 educadores ficará responsável por uma turma de 20 alunos  e contará com o acompanhamento de coordenadores e instrutores indicados pela UFG.

Beneficiários
O Projeto deve alcançar 900  trabalhadores rurais acampados e assentados. Os alunos são jovens acima de 15 anos e adultos, que receberão formação correspondente à dos alunos cursando da 1ª à 5ª série do ensino fundamental.

A sede dos assentamentos vai sofrer adaptações para funcionar como como salas de aula, enquanto que nos acampamentos  serão construídas salas de aula com o apoio da comunidade.

 

O Incra Goiás lamenta  morte do Bispo Emérito da Cidade de Goiás Dom Tomás Balduino, parceiro e crítico do Incra que fez de sua vida a defesa incansável dos trabalhadores rurais sem terra e da Reforma Agrária.

É pela iniciativa, obra e amor de Dom Tomás que o estado de Goiás contabiliza os atuais 292 assentamentos da reforma agrária implantados pelo Incra. Foi no período de atuação de Dom Tomás na cidade de Goiás que o primeiro assentamento do estado foi criado pelo Incra, em 1986 e o município é o que apresenta a maior concentraçâo de assentamentos do estado, com 22 implantados.

Em homenagem à dedicação de toda uma vida à luta pela reforma agrária, o projeto de assentamento São José do Ferreirinho, no município de Goiás, voltará a se chamar Projeto de Assentamento Dom Tomás Balduino.

Um ponto forte da Feira Agro Centro-Oeste Familiar são as palestras, mesas de debate, oficinas teóricas e práticas (dia de campo) realizadas durante o encontro. Nesta edição, a mesa redonda sobre casos de sucesso e assentados da reforma agrária e da agricultura familiar foram destaques na programação desta quinta-feira (24). Diante de uma sala lotada, com cerca de 60 pessoas, dois casais de assentados e uma agricultora familiar puderam compartilhar suas histórias de vida e de sucesso na produção.

Dona Lílian Santana de Lima e o marido João Batista Luciano da Silva, moradores do assentamento Tijunqueiro I, em Morrinhos, estavam desistindo de trabalhar com leite. Eles lembraram que, na época, não conseguiam tirar o sustento da família de sua produção. Foi quando tomaram conhecimento do projeto Balde Cheio desenvolvido pela Embrapa Pecuária Sudeste(leia abaixo).

Há quatros anos, a história se transformou. Com o auxílio dos técnicos do programa, o casal mudou a forma de tratar o gado, adotando o pastejo rotativo, e superou as dificuldades. Os dois creditam o sucesso à assistência técnica. “A gente precisa de assistência técnica contínua e presente e, principalmente, precisa ouvir e aplicar as orientações recebidas”, explica Lílian. Atualmente, a família consegue manter produção de 11 mil litros de leite por mês com rebanho de 27 vacas. O plantel se alimenta em uma área de 2,5 hectares divididos em 24 piquetes.

O casal Joelma Rabelo e Wellington Pereira, do assentamento Tijunqueiro II, vive experiência semelhante. Wellington lembra que cresceu vendo os familiares ordenharem 50 vacas e conseguir 50 litros de leite. Hoje, consegue extrair de suas 20 vacas 150 litros por dia. Ele também acredita que o diferencial está, principalmente, nos conhecimentos que adquiriu durante os três anos em que vive no assentamento e ao projeto Balde Cheio, que possibilitou acesso às novas tecnologias e orientação para implantação do modelo de pastagem rotacionado.

Mudar o foco
Para a agricultora familiar Carmelúcia Helena Costa Tagliari, moradora da comunidade rural do Valzinho, no entorno de Morrinhos, trocar a produção de leite pela fruticultura foi a solução dos problemas financeiros da família. Em cerca de 10 hectares são cultivados mais de 1,2 mil pés de laranja, mexerica, graviola, mamão, manga e maracujá. A família comercializa a fruta in natura e em forma de polpa em supermercados, verdurões, cooperativas e também junto aos programas federais de Aquisição de Alimentos (PAA) e Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

A Feira
Arroz e café orgânico, achocolatado pronto para beber em caixinha, doces, geleias, artesanato variado, frutas in natura, polpas de frutas, mel e derivados, açúcar mascavo, rapadura, panificados, biscoitos, ovos, etc. Toda essa variedade de produtos movimentou a área comercial da 12ª edição da Feira Agro Centro-Oeste Familiar, que este ano conta com 30 estandes distribuídos entre comerciais e institucionais.

A Feira foi aberta ontem na noite de terça-feira (23), no Instituto Federal Goiano, campus da cidade de Morrinhos (GO), com presença de aproximadamente 200 pessoas. Os organizadores estimam que, diariamente, mais de 400 visitantes passem pelos corredores da feira, que prossegue até esta sexta-feira (25).

Este ano, o Incra/GO, por meio do Programa Terra Sol, cujo objetivo é fomentar a agroindustrialização e a comercialização da produção dos beneficiários da reforma agrária, investiu cerca de R$ 130 mil na realização da Feira. É o sétimo ano consecutivo que o Incra/GO apoia a realização da Agro Centro-Oeste.

Saiba Mais
O Programa Balde Cheio, desenvolvido pela Embrapa Pecuária Sudeste, é uma metodologia inédita de transferência de tecnologia que contribui para o desenvolvimento da pecuária leiteira em propriedades familiares.
Em 2013, 25 estados brasileiros faziam parte do Projeto Balde Cheio, totalizando 741 municípios e mais de 3.497 propriedades rurais, sendo 565 Unidades de Demonstração.

A longa espera que marcou a vida de 204 famílias de camponeses sem terra acampadas em vários municípios do estado de Goiás está chegando ao fim. Nesta sexta-feira (25), os trabalhadores rurais receberam oficialmente, com a presença do presidente do Incra, Carlos Mário Guedes de Guedes, o projeto de assentamento Chico Mendes, no município de Crixás (GO), no norte goiano.

O assentamento está sendo implantado na antiga fazenda Bonanza / Cavalgada Grande. O ato de Implantação, que contou com a abertura simbólica da porteira para a entrada definitiva dos camponeses na propriedade rural, teve a participação do superintendente do Incra em Goiás, Jorge Tadeu Jatobá Correia; do prefeito de Crixás, Orlando Naziozeno; de parlamentares municipais, estaduais e federais; além das lideranças do Movimento dos trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

A posse da antiga fazenda Bonanza / Cavalgada Grande em favor do Incra é uma conquista histórica. O imóvel foi alvo de disputa judicial desde 2009. “Estamos implantando o assentamento e levando, ao mesmo tempo, um cronograma para infraestrutura e acesso às políticas públicas, para que as famílias possam ter, o mais rápido possível, capacidade de produzir e viver com qualidade”, enfatizou o presidente do Incra, Carlos Guedes.

Segundo o superintendente do Incra, os assentamentos da reforma agrária passarão a ter nítido foco na sustentabilidade ambiental e econômica. A nova forma de manejo da terra implica numa agricultura familiar agroecológica e orgânica; na criação de animais de pequeno porte; no cultivo de hortifrutigranjeiros; no aproveitamento de frutos do Cerrado; na preservação da flora e fauna silvestres, além da piscicultura e meliponicultura.

“O presidente do Incra e nós, da superintendência, iremos fazer deste ato na fazenda Bonanza uma oportunidade para frisar a importância da reforma agrária como política pública governamental inclusiva social e economicamente. Vamos conclamar os municípios e o estado de Goiás para atuações conjuntas em prol do desenvolvimento da atividade rural familiar”, ressalta o superintendente.

 Sobre a área
A fazenda Bonanza/Cavalgada Grande se destaca por ser a maior área obtida para o programa de reforma agrária em Goiás desde 2010. O imóvel possui 8.637,90 hectares, onde o Incra estima assentar 204 famílias. Sua indenização como grande propriedade rural improdutiva custou ao Incra R$ 20.272.291,29.

Não obstante ter sido classificada como grande propriedade improdutiva há quatro anos, sofreu óbices judiciais e somente em 2013 o Incra conseguiu superar todos os entraves na justiça federal, conquistando a imissão na posse do imóvel.

 Norte goiano
A região norte de Goiás, composta por 26 municípios, está em franca expansão da agricultura familiar. Já são 93 assentamentos da reforma agrária, nos quais vivem mais de 6 mil famílias produzindo para o mercado local. Somente em Crixás, município com aproximadamente 16 mil habitantes, existem seis assentamentos, totalizando 366 famílias.

abertura

De amanhã (23) até sexta-feira (25), acontece em Morrinhos (GO) a 12ª Feira Agro Centro-Oeste Familiar, realizada pelo Instituto Federal Goiano, em parceria com o Incra/GO por meio do Programa Terra Sol.

Esta é a primeira vez que a Feira é realizada no interior do estado. A mudança no local da sede do evento visa aproximar ainda mais o produtor rural das informações e tecnologias apresentadas durante a Agro Centro-Oeste, além de fortalecer a relação destes trabalhadores com seu público consumidor.

Dos 30 estandes da feira, cerca de 10 serão destinados para exposição e comercialização de produtos da reforma agrária. O visitante da 12ª Feira Agro Centro-Oeste terá oportunidade de conhecer e adquirir direto do produtor hortaliças, artesanato, doces e geleias variadas, frutas in natura e polpas de frutas, mel e derivados, leite, rapadura, açúcar mascavo, etc.

Este ano, o Incra/GO, por meio do Programa Terra Sol, cujo objetivo é fomentar a agroindustrialização e a comercialização da produção dos beneficiários da reforma agrária, investiu cerca de R$ 130 mil na realização da Feira. É o sétimo ano consecutivo que o Incra/GO apoia a realização da Agro Centro-Oeste.

Ano passado, a feira teve público estimado em mais de mil pessoas por dia. Os 12 expositores da reforma agrária que participaram da Agro Centro-Oeste em 2013 obtiveram renda individual entre R$ 800 a R$ 1.000,00 durante os quatro dias de exposição.

 Morrinhos
O município está localizado na região Sul de Goiás, cerca de 128 quilômetros de Goiânia. Nas imediações da cidade estão três áreas da reforma agrária, os assentamentos Tijunqueiro I e II e São Domingos. Juntos, estes imóveis rurais abrigam 121 famílias de trabalhadores rurais.

 Serviço:
12ª Feira Agro Centro-Oeste Familiar

Data:
de quarta à sexta-feira (23/4 à 25/4)

Local
Instituto Federal Goiano – Câmpus Morrinhos – Rodovia BR-153, Km 633, Zona Rural.
Fone: (64) 3413-7900, Fax: (64) 3413-7902.

 

www.incra.gov.br

Siga o Incra/Sede no Twitter: @Incra_oficial

Blog Incra/GO: www.incragoias.wordpress.com

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