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Nesta época do ano, quando muitos agricultores sofrem com a falta de chuva e água na região Centro-Oeste do Brasil*, os trabalhadores rurais dos assentamentos Formiguinha, Pouso Alegre e Serras das Araras, no município de Mineiros (região sudoeste), são privilegiados.

As três áreas, que são fronteiriças, contam há quase três anos com um sistema de distribuição de água como nas cidades. As torneiras estão abastecidas e cada morador tem um hidrômetro para aferir seu consumo mensal.

A implantação do sistema de abastecimento é fruto de uma parceria entre as famílias e a Oréades, uma Ong, com financiamento do HSBC-Solidariedade. A iniciativa não só resolveu o problema da falta de água, como incrementou a produção e fortaleceu os laços comunitários.

O sistema é formado por um poço de cerca de 180 m de profundidade e tem capacidade de bombear 120 mil litros por hora. A rede de distribuição tem 22 mil metros e outros 6 mil metros para ligação até as casas das famílias.

Os recursos para a implantação, da ordem de R$ 197 mil, foram obtidos junto ao Instituto HSBC-Solidariedade. Desse montante, parte foi usada na compra da bomba para o poço, em treinamento e palestras e na administração do sistema.

Um comitê gestor eleito pelas famílias cuida da administração do sistema, contando com o apoio da Oréades nas questões contábeis. É o comitê que afere o consumo das famílias e faz a cobrança pelo uso da água, que varia entre R$13,00 e R$28,00.

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A água na história de cada família

Sebastião Biapino, morador do Sítio Boa Esperança – parcela 3 do assentamento Serra das Araras – não cansa de bendizer a água que recebe em casa. O agricultor diz que vida da família e o cuidado com a criação do gado melhorou 100% após esse serviço.

Biapino explica que antes do benefício, o gado bebia nas “grotas” (depressões que apresentam umidade). “Na época da seca, os bichos sofriam muito”, recorda. Hoje, comemora, não falta água para beber em nenhuma estação do ano.

“A vida da família e o cuidado com a criação do gado melhorou 100% após esse serviço.”

Zenaide Jesus Almeida Fazer a diferença! Pensando assim, a camponesa Zenaide Jesus Almeida instalou-se com o marido e duas filhas no Sítio Ebenézer, que é a parcela 19, do assentamento Formiguinha. “Hoje, eu tenho uma vida confortável, casa boa, com energia elétrica, eletrodomésticos e uma água abençoada que chega na torneira”, comemora a trabalhadora rural.

Graças à agua encanada, Zenaide e mais três sócias (Carla, Maria Divina e Iranilda, todas assentadas) montaram uma padaria que atende aos Programas Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e Aquisição de Alimentos (PAA).

Somadas as produções do PNAE e PAA, as quatro mulheres fornecem por mês 16 mil panificados, entre rosquinhas e pão careca, além de 120 quilos de bolo. A mais recente conquista dessas trabalhadoras foi a aprovação das instalações da cozinha e a certificação concedida pela Vigilância Sanitária Municipal de Mineiros.

Para Zenaide, o fato mais importante que aconteceu no assentamento foi a chegada da água. “Antes tinha que fazer opção em fazer plantação ou criar animais. Hoje, é uma bênção de Deus”, relata. Ela conta que paga cerca de R$ 13,00 pelo consumo de 30 mil litros/mês utilizados na casa, nas hortas e para cuidar das galinhas.

“Hoje, eu tenho uma vida confortável, casa boa, com energia elétrica, eletrodomésticos e uma água abençoada que chega na torneira”

Valci Rosa de Jesus, moradora da parcela 15 do Serra das Araras (Sítio Vitória da Conquista), lembra outra vantagem da água que chega pela torneira: não ser contaminada. “Pra mim, é tudo beber uma água sadia, que não caiu nem bicho”, afirma.

A família de Valci, composta por três membros, incluindo ela, utiliza a água da torneira mais para consumo doméstico. Para a horta e a criação de galinhas, usam água que vem da mina. “Mas, ela pode secar”.

Além do conforto, Valci considera que outro benefício trazido pela instalação do sistema de água foi a união das famílias dos assentamentos. Eles se organizaram para conseguir a parceria com Oréades (ONG que viabilizou o projeto) e para gerenciar o funcionamento e manutenção do sistema. “Unidos a gente consegue as coisas”, analisa.

“Pra mim, é tudo beber uma água sadia, que não caiu nem bicho”

 

 

 

 

Falta de água limitava a produção

go-mineiros-formiguinha-torneira-incra-set14A história do sistema de abastecimento de água nos três assentamentos começou há cerca de 10 anos.

Logo que chegaram ao assentamento, Zenaide e os demais trabalhadores rurais dos assentamentos Formiguinha, Pouso Alegre e Serra das Araras, aproximadamente 50 famílias, começaram a produzir.

Mais adiante, junto com a Organização Não Governamental Oréades, algumas famílias implantaram um viveiro de mudas do cerrado para participar de um projeto de sequestro de carbono para a empresa de cosméticos Natura.

No entanto, a falta de um sistema de distribuição de água para as parcelas, impedia não só a participação de todos os assentados no projeto, mas, também o desenvolvimento de hortas e outros cultivos, além da manutenção e expansão do rebanho bovino ou a criação de animais de pequeno porte.

De acordo com o assistente social e técnico agrícola, Godofredo Martins, da Oréades, que instalou o sistema de água na área que compreende os assentamentos, a localidade tem quatro nascentes intermitentes. O técnico considerava que a água era um fator limitante no local. “Na época da estiagem, mesmo a produção de subsistência não resistia”, lembra.

Detectada a necessidade dos assentados, a Oréades, que já realizava o trabalho do viveiro de mudas com os assentados, elaborou projeto Raízes, para implantação de sistema de distribuição de água. Esse projeto foi aprovado pelo Instituto HSBC-Solidariedade e obteve financiamento de R$ 197 mil.

Com esse recurso, foi possível perfurar o poço de aproximadamente 180 metros de profundidade, que tem capacidade para bombear 120 mil litros de água por hora, além de 22 mil metros de rede de distribuição e mais seis mil metros para ligação até as casas das famílias. O dinheiro também permitiu a compra da bomba para o poço, a realização de palestras sobre o uso racional da água, treinamento dos moradores para administrar e fazer manutenção do sistema.

Martins explica que os assentados elegeram um comitê gestor para administrar as questões relativas ao sistema de água. Segundo ele, a Oréades acompanha, dá suporte contábil, mas, quem viabiliza o funcionamento do sistema são os moradores.

O comitê é o responsável, inclusive, por aferir o consumo das famílias e realizar a cobrança pelo uso da água. De acordo com os moradores, o custo varia de R$ 13,00 (taxa mínima) a R$ 28,00 (valor máximo).

Para o Incra, a iniciativa é exemplar

Satisfeito com o modelo adotado pelos assentamentos Formiguinha, Pouso Alegre e Serra das Araras, o superintendente do Incra em Goiás, Jorge Tadeu Jatobá Correia, pretende divulgar o sistema de distribuição e abastecimento de água em outras áreas da reforma agrária.

De acordo com Jorge Tadeu, outras localidades em Goiás passam dificuldades no período de seca. “É interessante ampliar as possibilidades de solução deste problema e o trabalho com a ONG Oréades é um exemplo que pode ser seguido”, acrescenta.

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Região é conhecida pelas belezas naturais

Os assentamentos Formiguinha, Pouso Alegre e Serra das Araras estão localizados na região conhecida como Pinga Fogo, cerca de 50 quilômetros adiante de Mineiros, no sudoeste goiano, quase na divisa com estado do Mato Grosso.

Esta localidade, de beleza natural impressionante, fica em meio a Serra dos Caiapós, conjunto de serras e paredões, cortados pelos rios Formiguinha, Diamantino Ribeirão Grande e Matrinchã.

Toda a região é rica em veredas de buritis (Mauritia flexuosa) onde se originam diversas nascentes de águas cristalinas. Diversas espécies de animais como queixadas, onça pintada e suçuarana, tucanos, gaviões, tamanduás, antas, araras etc habitam a localidade. Os paredões de pedras e os buritis são locais de repouso e nidificação (ato de construir ninhos) das araras.

Um dos pontos turísticos mais visitados da região é a Chapada da Lua, que fica dentro da reserva legal do assentamento Serra das Araras. A Chapada da Lua é um conjunto de formações rochosas escavadas nas pedras pela chuva, sol e vento, processo denominado Intemperismo.(Com informações do site Mineiros.com)

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*Inverno seco na região Centro-Oeste entre os meses de maio a setembro.

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A Fazenda Amazonas, no município de Crixás, meio-norte goiano, é o mais novo imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária em Goiás.

O Decreto Presidencial destinando a área de 848,2 hectares para o assentamento de 17 famílias de trabalhadores rurais sem terra foi publicada no Diário Oficial da União (D.O.U) da última terça-feira (26).

Os próximos atos do Incra serão depositar em juízo o valor referente à indenização aos expropriados e solicitar à Justiça a imissão na posse da fazenda para, posteriormente, criar o assentamento.

Pelas benfeitorias, serão destinados R$ 265. 190, 49. A terra nua será paga em Títulos da Dívida Agrária (TDA´s), calculados em R$ 1.186,356.

O superintendente do Incra em Goiás, Jorge Tadeu Jatobá Correia, comemorou a notícia e lembrou que outras quatro áreas estão na iminência de desapropriação por improdutividade, aguardando apenas a edição de Decreto Presidencial.

São elas: Fazenda Império, em Itapuranga (794,18 ha), Fazenda Reata, situada em Jussara (429,08 ha); Fazenda Água Limpa 3, localizada em Niquelândia (2.832,41 ha) e Fazenda Maracujina Picos de Baixo, em Porangatu (1.430,31ha). Se somadas todas essas áreas, incluindo a Fazenda Amazonas, serão mais 6.672, 339 hectares para a reforma agrária em Goiás, espaço suficiente para o assentamento de 178 famílias agricultoras.

Improdutividade

O perito federal agrário Henrique Seleme Lauar foi o autor do laudo agronômico que constatou a improdutividade da Fazenda Amazonas em 2011.

Segundo ele, embora o imóvel estivesse sendo utilizado para pecuária, a área apresentava apenas 31,13% de Grau de Utilização da Terra (GUT) e 175,35% de Grau de Eficiência de Exploração (GEE). Para um imóvel ser considerado produtivo, explica o engenheiro agrônomo, seria necessário alcançar, simultaneamente, 80% de GUT e 100% de GEE.

Lauar explica que a dinâmica econômica da região de Crixás é voltada para a pecuária de leite, caprinocultura, suinocultura e também para a criação de aves. Porém, ele destaca que em imóveis como a Fazenda Amazonas há potencial para o cultivo da terra, visto que a propriedade possui em sua formação o latossolo, o cambissolo e o neossolo flúvico, que são solos de boa característica agrícola e boa fertilidade para culturas de ciclos curtos e longos, tendo como exemplos o arroz, a mandioca, o milho e a fruticultura. O cultivo de verduras também tem boa indicação para os agricultores crixaenses.

O fato de a microrregião na qual se encontra Crixás possuir energia elétrica trifásica, com viabilidade para o uso de equipamentos agrícolas de pequeno a grande porte, e apresentar índice pluviométrico médio de 1.600 mm/ano são apontadas pelo perito federal agrário como características facilitadoras de atividades agrícolas.

De acordo com o perito, na Fazenda Amazonas a situação é ainda melhor, pois a propriedade detém abundância de água porque é cortada pelo rio Crixá-Mirim e o pelo córrego das Mexericas.

No município já existem sete projetos do Incra: Antônio Tavares (36 famílias); Vitor Manoel (75 famílias); Carlos Lamarca (4 famílias); Arlindo José Maria (11 famílias); 12 de Outubro (18 famílias); Alírio Correia (88 famílias) e Chico Mendes (204 famílias). Todos eles estão incluídos na Chamada Pública, prevista para o próximo mês de outubro, para receber os serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural.

 

Crixás

A fundação de Crixás está ligada às descobertas dos garimpos de ouro no Brasil do século XVIII. O município, que segundo dados do IBGE de 2010 possui 15.760 habitantes, ainda tem a extração de minério e a pecuária como atividades predominantes, mas nem por isso houve a estagnação da agricultura familiar.

A Justiça Federal imitiu a Superintendência Regional do Incra em Goiás na posse da Fazenda Palmeiral, no município de Uruaçu (região norte do Estado, 380 quilômetros de Goiânia), na última quarta-feira (2).

O imóvel, de 1,5 mil hectares, foi desapropriado por interesse social para fins de reforma agrária. O Incra indenizará os ex-proprietários da área com R$ 3,8 milhões, já abatido o valor do passivo ambiental.

A partir da publicação do ato no Diário Oficial da União, o Incra/GO inicia o processo de criação e implantação de um assentamento da reforma agrária no local. 

A estimativa é que o futuro assentamento abrigue até 34 famílias de trabalhadores rurais, ligados à Federação de Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado de Goiás (Fetaeg).

 

Desapropriação amigável
O imóvel tem uma represa perene e seis açudes intermitentes. De acordo com o laudo agronômico feito pelos peritos federais do Incra/GO, as atividades econômicas mais indicadas para a área são a olericultura (horta), fruticultura, silvicultura, apicultura e pecuária.

A desapropriação da fazenda Palmeiral ocorreu de forma amigável com os ex-proprietários. Ainda assim, o processo tramitou na Justiça Federal durante seis anos.

 

Reforma agrária em Uruaçu
O município de Uruaçu conta com duas áreas de reforma agrária, os assentamentos Sebastião Rosa da Paz e José Roberto dos Santos. Juntos, os dois abrigam 55 famílias camponesas.  

Cantor Lenine encantado por espécie de orquídea no assentamento

Cantor Lenine encantado por espécie de orquídea no assentamento

Interesse, simpatia e simplicidade. Essas três palavras resumem bem a passagem de Lenine pelo assentamento Vitória, localizado no município de Goianésia, distante 170 quilômetros de Goiânia, na região central do estado.

O cantor e compositor pernambucano foi ao assentamento conhecer o projeto Verde Vida, de desenvolvimento sustentável e educação ambiental.

O projeto, fruto da parceia entre a Associação de Moradores do Assentamento e a  Organização Não Governamental (ONG) Gente do Cerrado, é financiado pela Petrobras. Lenine percorreu as parcelas 60, 53, 26, 25, 19 e 15 para conhecer a experiência dos assentados com os Sistemas Agrossilvipastoril  e Agroflorestal, que, em síntese, significa uso e manejo simultâneo de recursos naturais em associação com cultivos agrícolas e/ou animais de forma compatível, e com o modelo de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável – PAIS, que é um sistema de horta em forma de anéis (circular). Nesta mandala, são plantadas várias culturas diferentes, integrado com a criação de pequenos animais (pato, galinha, etc) e com um quintal de frutíferas.

O cantor inaugurou o Banco de Sementes do assentamento, que funcionará em casa centenária.

O cantor inaugurou o Banco de Sementes do assentamento, que funcionará em casa centenária.

O cantor visitou o Banco de Sementes “Casa Branca”, instalado numa construção colonial que os moradores acreditam ser centenária, e um viveiro de preparação de orquídeas para reintrodução no habitat natural. Neste momento, conversou com crianças e jovens que participam do projeto, como monitores mirins. Também foi ver de perto o cercamento das áreas de nascente e de Preservação Permanente e Reserva Legal.

Na parcela 60, tocada pelo casal Natal e Márcia, Lenine finalizou a construção de um canteiro bio-séptico, plantando uma das bananeiras que compõe este sistema ecológico de tratamento de esgoto (círculo da bananeira).

Em todos os ambientes, manteve-se interessado e atento às explicações dos técnicos do projeto Verde Vida. Muito à vontade com as pessoas do local, não se furtou em fazer brincadeiras, tirar fotos e autografar caderninhos.

Lenine observa o canteiro bio-séptico onde serão plantadas bananeiras.

Lenine observa o canteiro bio-séptico onde serão plantadas bananeiras.

Lenine acredita que as mudanças começam num universo menor (micro) e caminham para o macro, sempre passando pelo foco da educação. “Aqui – falou referindo-se ao assentamento – é muito especial porque a gente vê que as pessoas tomaram posse e fazem isso gerar. Essa ocupação da terra é muito bonita!”, afirmou.

No Vitória, 57 das 61 famílias de trabalhadores rurais que moram no local participam ativamente da implantação das melhorias advindas com o projeto Verde Vida, que mescla atividades teóricas e práticas de desenvolvimento sustentável e educação ambiental.

Refresco

lenine_visita_assentamento_goianesia_aguaAntes do almoço, realizado na parcela 19, onde fica o Balneário Santa Família, recanto de lazer existente no assentamento, ele e toda sua equipe de Produção não se intimidaram e entraram nas águas cristalinas e geladas do Ribeirão Santa Família.

A última visita foi na parcela 15, onde embrenhou-se no Cerrado para regozijar-se com  várias espécieis de orquídeas. Lenine define-se com “orquidoido” e de longe sabe reconhecer e diferenciar tipos destas flores.

Ele ficou encantado com a riqueza vegetal e preservação do espaço encontrado no assentamento Vitória.

Funcionamento do Verde Vida

Ao longo de dois anos, a Petrobras repassará cerca de R$ 3,5 milhões para financiar o projeto Vida Verde no assentamento Vitória. Por meio do Petrobras Ambiental, a Associação Gente do Cerrado já desenvolveu ações similares nos assentamentos Poções (Rialma); Oriente (Nova Glória); Nova Aurora (Santa Isabel) e Presente de Deus (Goianésia).

Além dos benefícios para a natureza, o projeto entregou uma patrulha agrícola, composta por trator, grade, carreta, niveladora e perfuradora de solo, etc, para os assentados.

Visita a projetos socioambientais

Lenine realizou uma turnê por 12 projetos socioambientais pelo Brasil. A última parada foi em Goianésia, no projeto Verde Vida. A intenção é estar próximo das comunidades, gestores, técnicos e, claro, para fazer o que mais gosta: música. “A arte é um instrumento de aproximação poderoso por uma sociedade mais justa, gosto de acreditar que a minha música vai além do que meramente canto”, explica o cantor, que também é botânico autodidata, colecionador de orquídeas e apoiador engajado de grupos de preservação ambiental.

Visita ao assentamento Vitória encerrou turnê do cantor Lenine por 12 projetos sócio-ambientais.

Visita ao assentamento Vitória encerrou turnê do cantor Lenine por 12 projetos sócio-ambientais.

Os “Encontros Socioambientais com Lenine” percorreram as 5 regiões do país e passaram pelo projeto “Floresta Sustentável”, na Praia do Forte, e “Orquestra Jovem”, ambos na Bahia, “Tecendo uma Rede de Cidadania” (MG), “Centro de Referência de Esporte Educacional” (RS), “Mantas do Brasil” (SP), “Pé de Pincha” e “Bois Vermelho e Azul” (AM), “Pesca Solidária” (CE), “Meros” (ES), “Bichos do Pantanal” (MT), “Caranguejo Uça” e “Projeto Diferentes Talentos” (RJ) e “Comunidade Produção e Renda” (MA). Toda essa extensa agenda conta com a parceria e o patrocínio da Petrobras, através do Programa Socioambiental.

 

Em cada local, são dois dias de ações. No primeiro dia, o cantor visita o projeto anfitrião, conhece a história dos vários projetos da região, assim como seus representantes e parceiros locais. O encerramento se deu com um show gratuito, onde Lenine revisita seu repertório para mostrá-lo ao público de uma maneira intimista, no formato voz e violão.

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O Incra em Goiás recebeu a posse da fazenda Bacaba e Lama Preta, localizada entre os municípios de São Miguel do Araguaia e Luiz Alves, região norte do estado. A escritura de compra em nome do órgão foi lavrada no Cartório de Registro de Imóveis e Tabelionato 1º de Notas, na comarca de São Miguel do Araguaia, no último dia 15. Em breve, o Incra/GO criará um novo assentamento na propriedade. 

O imóvel que sediará o futuro assentamento tem mais de 5 mil hectares e poderá receber até 171 famílias camponesas. 

Serão beneficiados com a área os trabalhadores rurais do acampamento Lindalva Esperança, na BR-164, entre São Miguel e Mundo Novo, ligados à Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar de Goiás (Fetaeg).

As famílias aguardam pela terra há cerca de 9 anos, enfrentando o calor e o frio das lonas pretas, a precariedade de trabalhos temporários, além de três incêndios e mais de oito acidentes de trânsito na rodovia.

Detalhes O perfil agroeconômico da fazenda é voltado para a bovinocultura (leite e carne), apicultura, criação de frango e cultivo de mandioca. A propriedade está as margens dos rios Araguaia (lado direito) e Verde (esquerdo), além de contar com 24 represas, 14 cacimbas (poços perenes) e várias nascentes. A área também é cortada pela BR-080, que está sendo finalizada e fará a ligação entre os estados de Goiás e Mato Grosso.

Turismo rural De acordo com Marcos José da Silva, presidente do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de São Miguel do Araguaia, e futuro morador do assentamento, as famílias que ocuparão a área estão vivendo momentos de “pura felicidade”.

Além do cultivo da terra, Silva conta que os planos são de investir nos turistas que visitam a região do Araguaia. Eles pensam em montar um mercadinho, loja de artesanato, restaurante e lanchonete às margens da rodovia que passa pela fazenda.

Com a aquisição de mais esta área, o superintendente do Incra/GO, Jorge Tadeu Jatobá Correia, destaca que o Incra avança na consolidação da reforma agrária em Goiás e torna o sonho de trabalho fixo e casa própria de várias famílias mais real. Atualmente, o estado conta com mais de 290 assentamentos e cerca de 13 mil famílias beneficiárias da reforma agrária.

A fazenda Bacaba e Lama Preta foi adquirida pelo Incra/GO pela modalidade compra, regulamentada pelo decreto 433, de 1992. A autarquia pagou R$ 23,5 milhões pelo imóvel, já descontado o valor do passivo ambiental, no valor de R$ 328.105,40.

Processo de compra e venda é participativo e consensual 
Toda vez que o Incra adquire uma fazenda pelo processo de compra e venda realiza realiza audiência pública com a participação de mais de 15 instituições, entre órgãos de controle, entidades representativas dos trabalhadores rurais, autoridades estaduais e municipais, além de entidades como o Crea, OAB, Ministério Público e Polícia Federal, entre outros.

Diferente da desapropriação, o processo de aquisição é consensual e sem demandas judiciais. As áreas são ofertadas pelo proprietário ao órgão ou o Incra faz uma proposta pela área. Somente fazendas produtivas podem ser adquiridas via Compra e Venda.

Antes de fechar negócio, os peritos agrários do Incra visitam o local e verificam se a propriedade tem boas condições para desenvolvimento de agricultura e/ou pecuária. A autarquia faz a avaliação das áreas com base no mercado de terras da região. A terra nua é paga em títulos do Governo Federal e as benfeitorias, em dinheiro. O procedimento é regulado pelo Decreto 433/92.

Assentados e quilombolas interessados cursar Direito na turma especial criada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) devem ficar atentos ao calendário do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

A UFPR utilizará as notas do Exame para selecionar, em 2015, os 60 integrantes da turma especial, aberta em parceria com o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera).

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As inscrições ao Enem foram abertas hoje (12) e terminam no dia 23 de maio. O candidato deverá se inscrever somente pelo site oficial. As provas serão aplicadas nos dias 08 e 09 de novembro, na cidade indicada no ato da inscrição.

Durante o registro no site do Enem, o candidato deve informar o número do CPF, número do documento de identidade (RG), endereço de e-mail, cidade onde deseja fazer a prova e o idioma para questões de língua estrangeira.

Edital

Podem se candidatar a uma vaga na turma especial os trabalhadores rurais assentados ou seus filhos e os membros de comunidades quilombolas que concluíram ou estejam cursando o último ano do ensino médio.

A UFPR publicará um edital para que os candidatos a uma vaga na turma especial informem dados pessoais, número de inscrição no Enem e documento do Incra confirmando que é beneficiário da reforma agrária ou quilombola. A partir das maiores notas no Exame, a universidade vai selecionar os 60 integrantes da turma.

O curso de Direito terá duração de cinco anos. Durante esse período os alunos terão direito a bolsas de estudos, através do Pronera, além de receberem auxílio-moradia, alimentação e permanência.

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O mundo acordou mais triste no sábado. Na noite de sexta-feira, Dom Tomás Balduíno nos deixou. Só na parte física, é evidente. Pois seu exemplo, suas lutas em 91 anos de vida permanecem de forma eterna.

Sempre que alguém se posicionar em uma disputa a favor do mais frágil, Dom Tomás estará presente. Sempre que alguém levantar a voz contra os poderosos na defesa do povo, Dom Tomás estará presente. Sempre quando um indígena ou um pequeno trabalhador rural for tratado com respeito e carinho, Dom Tomás estará presente. O seu sorriso, bom humor e sabedoria nos acompanharão sempre que nos posicionarmos de forma cristã perante as injustiças.

A vida desse grande homem é tão rica em simbolismo que ele faleceu no dia 02 de maio – parece que ele ainda queria passar mais um Dia do Trabalhador junto do povo para o qual dedicou sua vida.

A superintendência regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Goiás deve muito a Dom Tomás. Sempre que ele visitava nossa sede no Setor Santa Genoveva, era motivo de grande alegria. Nossos servidores o respeitavam profundamente, como toda sociedade brasileira. Ele nunca apresentou um pedido que não tivesse como fim resolver problemas dos mais carentes. E sempre contava com todos nossos esforços para que suas demandas fossem atendidas.

Ele é tão querido pelos trabalhadores rurais assentados da reforma agrária em nosso estado, e em especial na Cidade de Goiás onde era bispo emérito, que o Assentamento São José do Ferreirinho na antiga capital se chamará agora Assentamento Dom Tomás Balduíno por iniciativa das famílias que ali vivem. A bem da verdade, ele voltará a ter o nome em homenagem ao religioso. O assentamento tinha o nome de Dom Tomás, mas por recomendação do Ministério Público Federal de Goiás a homenagem a personalidades vivas não era legalmente aceitável.

Sempre nos encontrávamos também nas visitas aos assentamentos e acampamentos de todo estado. Nem a saúde debilitada pela corajosa luta contra o câncer o impedia de se deslocar por estradas de terra na defesa da reforma agrária em Goiás. Ele ia a locais ermos para se solidarizar com as pessoas que enfrentavam dificuldades, conversar com fazendeiros em disputas de terra, usar de sua rede de contatos para preservar a vida de quem estava em situação de fragilidade em um confronto.

A vida de Dom Tomás deve ser um referencial para todos que desejamos uma sociedade mais justa, com menos desigualidade e oportunidades iguais para todos, independente de onde nasceram. Dom Tomás lutou por isso e deixou sua marca na história. Que seus ensinamentos e exemplo se perpetuem no coração das novas gerações.

Jorge Tadeu Jatobá,
Superintendente regional do Incra em Goiás

Estão prorrogadas, até o dia 16 de maio de 2014, as inscrições ao processo seletivo simplificado Incra/UFG de educadores para atuarem em áreas da reforma agrária e acampamentos de trabalhadores rurais sem terra.

São oferecidas 45 vagas, com bolsas ou remuneração de R$ 1.080,00 para educadores (20 horas semanais) e de R$ 1.440,00 para coordenadores (20 horas semanais).

Os profissionais aprovados integrarão o Projeto Educação e Cidadania: Primeiro segmento de EJA e formação de professores em Goiás numa proposta de educação do campo, criado a partir do termo de cooperação firmado entre o Incra e a UFG em dezembro de 2011, com recursos do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária, o Pronera.

Os selecionados serão distribuídos em 17 municípios e atenderão 33 assentamentos e 2 acampamentos.

Cada um dos 45 educadores ficará responsável por uma turma de 20 alunos  e contará com o acompanhamento de coordenadores e instrutores indicados pela UFG.

Beneficiários
O Projeto deve alcançar 900  trabalhadores rurais acampados e assentados. Os alunos são jovens acima de 15 anos e adultos, que receberão formação correspondente à dos alunos cursando da 1ª à 5ª série do ensino fundamental.

A sede dos assentamentos vai sofrer adaptações para funcionar como como salas de aula, enquanto que nos acampamentos  serão construídas salas de aula com o apoio da comunidade.

 

O Incra Goiás lamenta  morte do Bispo Emérito da Cidade de Goiás Dom Tomás Balduino, parceiro e crítico do Incra que fez de sua vida a defesa incansável dos trabalhadores rurais sem terra e da Reforma Agrária.

É pela iniciativa, obra e amor de Dom Tomás que o estado de Goiás contabiliza os atuais 292 assentamentos da reforma agrária implantados pelo Incra. Foi no período de atuação de Dom Tomás na cidade de Goiás que o primeiro assentamento do estado foi criado pelo Incra, em 1986 e o município é o que apresenta a maior concentraçâo de assentamentos do estado, com 22 implantados.

Em homenagem à dedicação de toda uma vida à luta pela reforma agrária, o projeto de assentamento São José do Ferreirinho, no município de Goiás, voltará a se chamar Projeto de Assentamento Dom Tomás Balduino.

Um ponto forte da Feira Agro Centro-Oeste Familiar são as palestras, mesas de debate, oficinas teóricas e práticas (dia de campo) realizadas durante o encontro. Nesta edição, a mesa redonda sobre casos de sucesso e assentados da reforma agrária e da agricultura familiar foram destaques na programação desta quinta-feira (24). Diante de uma sala lotada, com cerca de 60 pessoas, dois casais de assentados e uma agricultora familiar puderam compartilhar suas histórias de vida e de sucesso na produção.

Dona Lílian Santana de Lima e o marido João Batista Luciano da Silva, moradores do assentamento Tijunqueiro I, em Morrinhos, estavam desistindo de trabalhar com leite. Eles lembraram que, na época, não conseguiam tirar o sustento da família de sua produção. Foi quando tomaram conhecimento do projeto Balde Cheio desenvolvido pela Embrapa Pecuária Sudeste(leia abaixo).

Há quatros anos, a história se transformou. Com o auxílio dos técnicos do programa, o casal mudou a forma de tratar o gado, adotando o pastejo rotativo, e superou as dificuldades. Os dois creditam o sucesso à assistência técnica. “A gente precisa de assistência técnica contínua e presente e, principalmente, precisa ouvir e aplicar as orientações recebidas”, explica Lílian. Atualmente, a família consegue manter produção de 11 mil litros de leite por mês com rebanho de 27 vacas. O plantel se alimenta em uma área de 2,5 hectares divididos em 24 piquetes.

O casal Joelma Rabelo e Wellington Pereira, do assentamento Tijunqueiro II, vive experiência semelhante. Wellington lembra que cresceu vendo os familiares ordenharem 50 vacas e conseguir 50 litros de leite. Hoje, consegue extrair de suas 20 vacas 150 litros por dia. Ele também acredita que o diferencial está, principalmente, nos conhecimentos que adquiriu durante os três anos em que vive no assentamento e ao projeto Balde Cheio, que possibilitou acesso às novas tecnologias e orientação para implantação do modelo de pastagem rotacionado.

Mudar o foco
Para a agricultora familiar Carmelúcia Helena Costa Tagliari, moradora da comunidade rural do Valzinho, no entorno de Morrinhos, trocar a produção de leite pela fruticultura foi a solução dos problemas financeiros da família. Em cerca de 10 hectares são cultivados mais de 1,2 mil pés de laranja, mexerica, graviola, mamão, manga e maracujá. A família comercializa a fruta in natura e em forma de polpa em supermercados, verdurões, cooperativas e também junto aos programas federais de Aquisição de Alimentos (PAA) e Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

A Feira
Arroz e café orgânico, achocolatado pronto para beber em caixinha, doces, geleias, artesanato variado, frutas in natura, polpas de frutas, mel e derivados, açúcar mascavo, rapadura, panificados, biscoitos, ovos, etc. Toda essa variedade de produtos movimentou a área comercial da 12ª edição da Feira Agro Centro-Oeste Familiar, que este ano conta com 30 estandes distribuídos entre comerciais e institucionais.

A Feira foi aberta ontem na noite de terça-feira (23), no Instituto Federal Goiano, campus da cidade de Morrinhos (GO), com presença de aproximadamente 200 pessoas. Os organizadores estimam que, diariamente, mais de 400 visitantes passem pelos corredores da feira, que prossegue até esta sexta-feira (25).

Este ano, o Incra/GO, por meio do Programa Terra Sol, cujo objetivo é fomentar a agroindustrialização e a comercialização da produção dos beneficiários da reforma agrária, investiu cerca de R$ 130 mil na realização da Feira. É o sétimo ano consecutivo que o Incra/GO apoia a realização da Agro Centro-Oeste.

Saiba Mais
O Programa Balde Cheio, desenvolvido pela Embrapa Pecuária Sudeste, é uma metodologia inédita de transferência de tecnologia que contribui para o desenvolvimento da pecuária leiteira em propriedades familiares.
Em 2013, 25 estados brasileiros faziam parte do Projeto Balde Cheio, totalizando 741 municípios e mais de 3.497 propriedades rurais, sendo 565 Unidades de Demonstração.

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