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O maquinário foi entregue pelo ministro do Desenvolvimento Agrário Miguel Rossetto, hoje pela manhã, em evento na sede da Prefeitura de Goiânia, que contou com a participação do superintendente regional do Incra em Goiás, Jorge Tadeu Jatobá e do delegado federal do Desenvolvimento Agrário em Goiás, Otacílio Teixeira.

Foram doadas 16 motoniveladoras e 31 caminhões
a 31 municípios com assentamentos, o que vai beneficiar diretamente mais de 4.500 famílias de trabalhadores rurais.

Os veículos serão utilizados na conservação e recuperação de estradas vicinais, em obras de captação e armazenamento de água e na melhoria da infraestrutura nos assentamentos e em propriedades de agricultores familiares.

A entrega foi feita mediante a assinatura de um Termo de Doação entre os municípios e o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), no qual as prefeituras se comprometem a, nos próximos três anos, utilizar o equipamento exclusivamente em obras de interesse social para a promoção da agricultura familiar e reforma agrária.

Cada caminhão basculante foi adquirido pelo Governo Federal ao custo de R$ 234.070,80 e em cada motoniveladora foram investidos R$ 413.047,90. O maquinário vem equipado com itens de última geração, incluindo GPS e será operado por profissionais indicados pelos municípios e que receberão treinamento da empresa fornecedora dos veículos.

No total, o MDA repassou 169 veículos às prefeituras, que somados aos doados anteriormente dão um total de 616 unidades entregues em todo o estado, entre retroescavadeiras, motoniveladoras e caminhões caçamba.

Para o superintendente do Incra em Goiás, Jorge Tadeu Jatobá, a doação beneficia os assentados e fortalece o município. “A doação do maquinário é um investimento na cadeia produtiva local. As obras de infraestrutura são extremamente importantes para um assentamento progredir, e um assentamento bem sucedido reforça a economia municipal”, informou.

Segundo o assistente técnico da DFDA/GO, João Bertolino, parater acesso ao serviço nas suas comunidades, é recomendado que os assentados comuniquem a prefeitura por escrito, apresentando suas demandas. Bertolino esclarece ainda que poderão ser solicitadas outras atividades além da conservação de estradas, como a implantação de bacias de contenção, terraplanagem para construção de moradia dentro do Programa Minha Casa Minha Vida rural e até cascalhamento de currais.

“Além dos benefícios para os produtores familiares, o município economiza também. Com estradas melhores, a prefeitura vai termenos gastos com a manutenção dos veículos de transporte escolar ou ambulâncias, por exemplo. Ter estradas em boas condições facilita e barateia o transporte da produção dos assentados para a cidade”, reforçou Bertolino.

Fiscalização social
A fiscalização do uso do maquinário ficará a cargo da Delegacia Federal do Desenvolvimento Agrário em Goiás, que também receberá denúncias da população. Segundo a Delegacia, o maquinário não poderá ser utilizado, por exemplo, fora dos limites do município ou em obras de rodovias; serviços urbanos como o transporte de lixo ou entulho na cidade também são proibidos. A vedação também se aplica aos acessórios. Nenhum equipamento ou acessório de fábrica poderá ser retirado dos veículos.

Estão abertas as inscrições ao processo de seleção simplificada da Universidade Federal de Goiás/Incra para educadores interessados em atuar junto a trabalhadores rurais jovens e adultos, em acampamentos e assentamentos da reforma agrária.

O edital foi publicado ontem (01 de abril), no site do Incra, e as inscrições vão até o dia 25 de abril. São oferecidas 45 vagas, com bolsas ou remuneração de R$ 1.080,00 para educadores (20 horas semanais) e de R$ 1.440,00 para coordenadores (20 horas semanais).

Os profissionais aprovados farão parte do Projeto Educação e Cidadania: Primeiro segmento de EJA e formação de professores em Goiás numa proposta de educação do campo, criado a partir do termo de cooperação firmado entre o Incra e a UFG em dezembro de 2011.

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Os selecionados serão distribuídos em 17 municípios, contemplando 33 assentamentos e 2 acampamentos. Cada um dos 45 educadores será responsável por uma turma de 20 alunos e serão acompanhados pelos coordenadores e instrutores indicados pela UFG.

Os alunos são trabalhadores rurais, jovens acima de 15 anos e adultos, e receberão formação correspondente à dos alunos cursando da 1ª à 5ª série do ensino fundamental. As aulas serão ministradas nas sedes dos assentamentos para aproveitar a infraestrutura existente. No caso dos acampamentos, serão construídas salas de aula.

Outro objetivo do projeto é a capacitação de educadores para atuarem em áreas de assentamentos da reforma agrária e acampamentos de trabalhadores rurais sem terra, dentro das premissas do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera).

Como se inscrever
Para participar deste processo seletivo, o(a) candidato(a) deverá enviar via e-mail (secretariaproneraufg@gmail.com) ou sedex (endereço Universidade Federal de Goiás, Av. Dr. Lamartine Pinto de Avelar, 1.120, sala 10, Bloco C, Setor Universitário – CEP 75704-020, Catalão-GO) com toda a documentação.

São exigidas: ficha de inscrição preenchida e assinada (Anexo I); cópia da cédula de identidade; cópia do CPF; comprovante de residência atualizado; documento de comprovação de escolaridade – conforme exigência para o cargo apresentado no Anexo II neste edital e cópia do currículo Vitae (de acordo com o modelo Anexo VI).

Para a inscrição, ainda é necessário o envio, junto com as informações solicitadas acima, do contracheque do mês de fevereiro, se o interessado for servidor público; de uma declaração (do próprio punho) de que possui disponibilidade de tempo para atuar no Projeto (Conforme modelo Anexo IV), do comprovante do Serviço Militar, para candidatos do sexo masculino, e da declaração do INCRA de que é beneficiário do PRONERA – para os que não são servidores públicos.

Acesse aqui o edital para obter mais informações e o formulário para inscrição.

geo_flores_blogTécnicos do Incra Goiás realizaram hoje (31) a primeira reunião de trabalho com as empresas contratadas para executar demarcação topográfica em 60 assentamentos goianos (veja lista abaixo). Representantes de algumas das áreas contempladas também participaram.

O objetivo do encontro é apresentar os responsáveis pelos serviços contratados ao Incra e aos assentados beneficiados, além de esclarecer dúvidas sobre pontos do termo de referência que regeu a contratação das empresas, através do Pregão nº 08/2013.

Ficou acordado na reunião que, até o final desta semana, as empresas apresentarão seus respectivos cronogramas de trabalho e na semana seguinte, iniciam os atividades de campo.

As vencedoras do pregão 08/2013 foram: Geodésia Serviços Topográficos, de Uberlândia (MG), Toposat, de CampoGrande (MS) e Goiásgeo, de Edéia (GO). Juntas, as três empresas trabalharão em mais de 58 mil hectares e beneficiarão 1.071 famílias de trabalhadores rurais. O investimento do Incra/GO nesta ação é de aproximadamente R$ 724 mil.

geo_reuniao_blogPor meio da demarcação topográfica, os assentamentos serão medidos, demarcados e georreferenciados e, por conseguinte, certificados pelo Incra. Em outras palavras, este trabalho possibilita definir, mapear e documentar todas as áreas existentes nos assentamentos como as de moradia, uso coletivo, exploração econômica e preservação permanente.

A certificação também adequa o assentamento e os assentados à legislação ambiental em vigor, pois lhes confere o direito de se inscrever no Cadastro Ambiental Rural (CAR). O superintendente Jorge Tadeu Jatobá Correia lembra que a inscrição no CAR é fundamental para conseguir as licenças ambientais necessárias à exploração econômica das parcelas.

Para Ronaldo Dias Ferreira, assentado no PA Rômulo Sousa Pereira, em Jataí (GO), esse trabalho põe fim a um espera de mais de quatro anos. “Isso muda a nossa vida”, destacou. Com o assentamento devidamente certificado, Ronaldo e os demais companheiros de assentamento, poderão definir o local exato para edificar suas moradias, solicitar o licenciamento ambiental da área, além do almejado financimento pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

geo_reuniao2_blogIniciativa
Este é o segundo pregão para serviços topográficos realizado pelo Incra/GO (SR-04). A primeira licitação deste modelo (a de nº 07/2012) teve como vencedora a empresa MNB Engenharia, de Brasília (DF), que vai trabalhar em 17 assentamentos diferentes, contemplando 702 famílias da reforma agrária. A expectativa é de que até 30 de junho deste ano, todas estas áreas estejam devidamente certificadas pela autarquia.

Saiba Mais
O Cadastro Ambiental Rural (CAR) foi criado pela pela Lei nº 12.651, de 2012, no âmbito do Sistema Nacional de Informação sobre Meio Ambiente – SINIMA.

Esse cadastro é um registro eletrônico, obrigatório para todos os imóveis rurais, que tem por finalidade integrar as informações ambientais referentes à situação das Áreas de Preservação Permanente – APP, das áreas de Reserva Legal, das florestas e dos remanescentes de vegetação nativa, das Áreas de Uso Restrito e das áreas consolidadas das propriedades e posses rurais do país.

geo_blogAssentamentos que receberão serviços topográficos:

MUNICÍPIO

ASSENTAMENTO

NOVO BRASIL ESMERALDA MARIA
FAINA ARRAIAL DAS ANTAS II
ITAPURANGA BONANZA
FAZENDA NOVA FRANCISCO ROQUE DA CRUZ
IPORÁ/AMORINÓPOLIS PADRE NILO
ITABERAÍ DOM HELDER CAMARA
ARAGUAPAZ GOIANÃO
BURITI DE GOIAS IRMàODILIA
ITAPIRAPUÃ ARCO-ÍRIS
PARAÚNA JOSÉ CARLOS DA SILVA
SANTA RITA DO ARAGUAIA DOIS SALTOS
FAINA ROSA LUXEMBURGO
VARJÃO PALMARES
BOMJ ARDIM DE GOIAS JAIR EZEQUIEL RODRIGUES
SANTA RITA DO ARAGUAIA CHICO MOLEQUE
ITARUMÃ DE OUTUBRO
PARAÚNA JOSÉ CARLOS DA SILVA
VILA PROPÍCIO-GO MARIA CÍCERA DAS NEVES
NIQUELÂNDIA ÁGUA LIMPA
JULIÃO RIBEIRO
SILVÂNIA BUTITI
ORIZONA MARIA DA CONCEIÇÃO
GOIANDIRA MADRE CRISTINA
CRIXÁS 12 DE OUTUBRO
STA. TEREZINHA DE GOIÁS MORADA DO SOL
CRIXÁS VITOR MANOEL
ANTONIO TAVARES
PORANGATU JOSUÉ DE CASTRO
BONÓPOLIS ANITA MANTUANO
MARA ROSA JOSUÉ CALEBE
CAIAPÔNIA PADRE ILGO
VALE DO BOA VISTA
DOVERLÂNDIA MONTE SINAI
MACAÚBA
JATAI RÔMULO SOUZA PEREIRA
PALESTINA DE GOIÁS PADRE JOSÉ

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Assistência técnica para todos os assentados, incremento no número de vistorias e obras de infra estrutura nos assentamentos são algumas das prioridades da Superintendência Regional do Incra em Goiás para o biênio 2014/15.

As atividades foram definidas em um encontro de planejamento, realizado nos dias 27 e 28 de março, que reuniu servidores de todas as áreas da autarquia.

Segundo o responsável pelo serviço de Planejamento e Controle do Incra em Goiás, Paulo Aparecido Farinha, o intuito da reunião foi a elaboração do plano de trabalho que vai nortear as ações da superintendência. “O objetivo é conseguir atender as demandas levando em conta a nossa capacidade operacional e os recursos disponíveis para o período”, explicou.

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Para o superintendente regional do Incra em Goiás, Jorge Tadeu Jatobá, o planejamento garante uma boa execução das atividades que mais impactam o público da reforma agrária. “ As prioridades do Incra são as prioridades dos trabalhadores rurais: moradia, crédito, boas estradas e profissionais disponíveis para alavancar a produção.”

Uma das novidades para 2014 é o procedimento para a liberação de recursos para obras de infra estrutura, que será casada com a liberação de recursos para construção de casas através do Minha Casa Minha Vida Rural (MCMV).

Segundo levantamento da área, 43 assentamentos que ainda não receberam crédito algum serão os primeiros a ter acesso aos recursos para habitação (via MCMV)e infra-estrutura em 2014.

Em relação à assistência técnica, a meta é disponibilizar o serviço para mais 8.800 famílias assentadas em todo o estado de Goiás. Um edital será publicado pela autarquia para contratação de empresas especializadas.

O incremento no número de fazendas vistoriadas em 2014 deve atender à maior parte das demandas apresentadas pelos trabalhadores rurais sem terra ao Incra desde 2013. As vistorias determinam a produtividade do imóvel rural e seu valor de mercado e são o marco inicial no processo de aquisição de novas terras para a reforma agrária.

A reunião também serviu para a autarquia aferir e avaliar a execução do que havia sido proposto, no início de 2013, para o biênio 2013/2014.

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O Incra realizou, na manhã dos últimos três dias, videoconferências para apresentar à comunidade o novo modelo de atendimento da Sala da Cidadania do órgão, que será feito online e estará disponível nas cidades onde o Incra tem assentamentos implantados.

Segundo o superintendente regional do Incra em Goiás, Jorge Tadeu Jatobá, “a iniciativa visa dar maior agilidade às respostas que o público do Incra precisa, além do conforto de resolver pendências sem precisar vir à sede da autarquia em Goiânia”.

saladacidadaniaNa terça-feira, 11, a explicação foi direcionada a servidores da casa. Na quarta, a gestores municipais e, ontem, aos movimentos sociais. Durante o evento, os presentes tiveram oportunidade de tirar dúvidas acerca das novidades do sistema.

As videoconferências foram apresentadas na sede da autarquia, em Goiânia. O dia de maior mobilização foi na quarta-feira, com a presença de prefeitos, secretários e representantes das Unidades Municipais de Cadastro (UMC) de 15 cidades. Também participou da videoconferência o superintendente de relações institucionais da Federação Goiana de Municípios (FGM), Haroldo Navesrepresentando mais de 200 cidades de Goiás.

Desdobramentos
Na próxima segunda-feira, 17, o superintendente Jorge Tadeu tem reunião na sede da FGM, às 14h30, onde vai aprofundar com os representantes das cidades as mudanças e definir a participação e responsabilidades das gestões municipais e do Incra nesse processo.

Mais:
Sala da Cidadania inova na prestação de serviços pelo Incra

O Incra em Goiás recebe, até dia 21 de março, as propostas para financiamento de empreendimentos rurais com recursos do Programa Terra Sol.

Os interessados deverão preencher o formulário (veja os anexos no final da matéria), conforme as indicações do documento. Os itens cobertos pelo programa estão no Artigo 7º da Norma de Execução nº 103 (ver anexos).

As propostas devem ser encaminhadas via ofício e entregues na sede do Incra em Goiânia ou ser enviadas por e-mail até o dia 21.

O material entregue será analisado pelo assegurador do programa em Goiás, Henrique Amorim.  Segundo ele, as propostas que se mostrarem viáveis poderão ser transformadas em projetos. “Por enquanto estaremos recebendo só propostas. Se aprovadas, há uma nova fase, com detalhamento da proposta e apresentação de diversos documentos”, explica.

Mais informações podem ser obtidas com o assegurador, pelo fone 3269-1706 ou através do seu e-mail: henrique.amorim@gna.incra.gov.br

Anexos

Formulário e projeto básico: Modelo_proposta_Terra Sol

Instrução normativa: ne_103_dd (1)

abertura

A trabalhadora rural Romilda Borges Rezende da Silva, moradora do assentamento Rio Paraíso, superou todas as exigências burocráticas e implantou, sozinha, o primeiro abatedouro de frango da região de Jataí (sudoeste do estado) administrado por agricultores familiares. Desde o ano passado ela é a única assentada a fornecer aves abatidas, limpas e embaladas a cerca de 40 escolas municipais de Jataí, através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Trabalhando praticamente em casa, com um rendimento mensal de cerca de quatro salários mínimos e freguesia fixa e certa, Romilda Silva não tem do que reclamar da sua experiência com o PNAE, programa de compra antecipada que adquire alimentos prioritariamente de agricultores familiares (veja abaixo). “Quando compro e coloco os pintinhos na granja hoje, já sei que serão vendidos amanhã”, comemora.

O empreendimento tem capacidade para o abate de 50 frangos por dia. Com investimento de cerca de 50 mil reais, incluindo maquinário e veículo para entregas, Romilda Silva entrega frangos limpos e embalados em 40 escolas municipais de Jataí e ainda atende famílias vizinhas que utilizam o abatedouro para preparar sua aves para a venda.

O abatedouro fica ao lado da casa de Romilda Silva, em um lote no assentamento Rio Paraíso (município de Jataí). Foi planejado desde 2011 pela assentada, depois de muita pesquisa e contatos na internet pra aprender sobre a criação e abate de frangos. No local, trabalham ela, o filho e uma funcionária. “Quando é o tempo do abate, chego a passar 10 horas enfiada lá dentro. Quero que dê certo, para meu filho poder tocar o abatedouro daqui a um tempo. Ele faz faculdade à noite para poder me ajudar aqui.”

abatedouro

Segundo ela, foi a venda de rapadurinhas ao PNAE, feita pela cooperativa local, que animou a assentada a investir na produção de um alimento ainda não fornecido pelos pequenos agricultores do município às escolas. O frango só pode ser entregue vivo ou devidamente limpo e processado em abatedouro, em conformidade com todas as normas sanitárias, o que, segundo ela, afasta os pequenos produtores.

Diante da possibilidade de um mercado certo, a assentada pesquisou todo o processo na internet e pegou dois empréstimos pelo Programa Mais Alimentos, linha de crédito do Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) que financia investimentos na modernização da propriedade rural familiar.

Ao mesmo tempo que aprendia sobre o novo negócio e montava a estrutura física do abatedouro, Romilda Silva passou dois anos “peregrinando”por vários órgãos para receber o alvará de funcionamento do empreendimento. “Foi mais difícil obter toda a documentação do que conseguir o empréstimo ou aprender sobre o abate;” – desabafa -“tive de contratar arquiteto para fazer as instalações conforme as regras e ainda assim, foram várias vistorias antes da aprovação. Já o prédio, ficou pronto em um mês.”

O abatedouro funcionou com um alvará provisório na maior parte do ano passado, mas hoje Romilda Silva exibe o definitivo como um troféu: “parece que é só um papel e não vale nada, mas é uma conquista e tanto. Em termos de estrutura e documentação, o que se exige da gente é o mesmo que das grandes empresas.”

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Os frangos que serão abatidos são criados na própria parcela ou trazidos por outros cinco assentados vizinhos que utilizam o serviço do abatedouro. Segundo ela, as aves levam de 60 a 90 dias para serem abatidas, dependendo da raça, se de granja ou o ‘caipira melhorado’.

De máquina em máquina, Romilda Silva apresenta com orgulho, pra quem visitar o abatedouro, tudo que aprendeu na internet, etapa por etapa, do sangrador, à escaldadeira e em seguida à depenadeira e até à sala seguinte, onde a ave é aberta, os miúdos retirados e em seguida esfriada, embalada e congelada.

Todo o equipamento foi comprado de uma empresa no estado do Espírito Santo através da internet. “Arrisquei comprando na internet, mas pesquisei muito as empresas e liguei pra lá. Foi tudo entregue direitinho”, lembra.

“Sou muito exigente com meu trabalho. O frango que entrego vai direto para a panela. As merendeiras não terão trabalho nenhum limpando a ave; minha funcionária também é caprichosa. Tenho até medo de perdê-la; por aqui é muito difícil de encontrar mão de obra”, lamenta a produtora rural.

O capricho tem rendido bons negócios. “O abatedouro está no limite da capacidade, não posso nem garantir mais o frango caipira para aquelas pessoas que antes compravam de mim, na época em que eu não tinha ainda o abatedouro”, comemora.

Nos planos da assentada está a aquisição de uma câmera fria, mas, segundo ela, isso vai esperar. Por enquanto, a trabalhadora rural aguarda a publicação dos editais de aquisição de alimentos pelas escolas, no mês de março, para reiniciar a temporada de fornecimento de aves.

Enquanto isso, ela vai comemorando o empreendimento e a ‘fama’. Dona do único abatedouro de frango da região, já foi pauta de matéria jornalística na rede de TV local e desde então ficou ‘famosa’ nas redes sociais. “Volta e meia vem gente aqui pra conhecer, até de outros estados; e como o telefone do abatedouro apareceu na matéria, as pessoas me ligam pra saber como implantar algo parecido lá na terra delas”, conta.

Romilda Silva é casada e tem dois filhos, de 19 e 12 anos. O marido, Uemerson Silva, trabalha na terra, produzindo milho, carne e leite. Ele demonstra orgulho dela e dá todo apoio à esposa, mas faz questão de frisar que “o negócio é da Romilda”. Na varanda, duas latas de tinta esperam pela empreendedora. “Na última vistoria, me disseram para pintar de novo. Tem de estar tudo limpinho e branquinho. Depois eu pego aí e eu mesma pinto tudo”, informa.

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Com funciona o PNAE

O PNAE e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), ambos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), dão garantia de compra da produção dos agricultores familiares. No PNAE, as escolas têm de destinar 30% da aquisição dos alimentos da merenda escolar a agricultores familiares.

Cada unidade de ensino publica editais listando suas necessidades, e os pequenos produtores concorrem para o fornecimento dos alimentos. Os vencedores dos editais passam a entregar a quantia solicitada durante o tempo que durar o contrato. Isso garante um mercado estável para o que é produzido nos assentamentos e ainda incentiva os agricultores a diversificarem sua produção para poder abastecer a demanda escolar, como foi o caso da Romilda Silva.

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Clique na imagem acima para ver o vídeo com a matéria da TV Anhanguera sobre o Núcleo de Corte, Costura e Artesanato implantado por assentadas do município de Perolândia (GO).

Apesar do título da matéria dizer que elas ‘ganharam’ um centro de capacitação, as assentadas participaram ativamente tanto do processo decisório quanto da montagem e administração do empreendimento. As aquisições de máquinas e suprimentos, por exemplo, foram feitas com empréstimos obtidos pela cooperativa, e não ‘ganhadas’ de terceiros.

Leia mais sobre a iniciativa delas na matéria que o Blog do Incra Goiás produziu sobre o evento de inauguração da confecção, montada no assentamento Lagoa do Bonfim.

PAC2/MDA: doação de caminhões a prefeituras goianas vai melhorar estradas em 95 assentamentos

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Moradoras dos assentamentos Lagoa do Bonfim e Três Pontes, no município de Perolândia, montaram uma confecção para fornecer uniformes a prefeituras e outros clientes e faturar até 2 mil reais mensais, cada uma.

O Núcleo de Corte, Costura e Artesanato foi inaugurado ontem, 19, no assentamento Lagoa do Bonfim, em Perolândia, com direito a festa e corte de fita pelas trabalhadoras e os parceiros da iniciativa, a Odebrecht Ambiental, a Prefeitura de Perolândia, o Incra Goiás, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e o Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae).

O empreendimento foi criado pela Cooperativa Mista Agropecuária Integrada dos Produtores Familiares de Perolândia (Cooperfap) e funciona em um galpão no assentamento Lagoa do Bonfim.

41 trabalhadores rurais assentadas trabalham na confecção. Ao todo, somadas às moradoras da cidade, são 68 profissionais que trabalharão em dois turnos. Segundo a Cooperfap, já há uma fila de espera.

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Para dona Luiza Miranda Lima, trabalhadora rural e moradora do assentamento Lagoa do Bonfim, a confecção foi montada para ser um empreendimento duradouro e uma opção de renda e ocupação para os filhos dos assentados.

Além de uma renda mensal extra que pode chegar até a 2 mil reais, dona Luiza Lima aposta nos benefícios de se ter uma ocupação. “É uma atividade diferente do dia a dia do campo. Temos convívio social e continuamos com tempo para a lida na parcela e os trabalhos de artesanato”, pondera.

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A ideia de criar um negócio a partir da tradição local do artesanato com tecidos partiu de reuniões com a comunidade. Como as assentadas já estavam organizadas numa cooperativa e comercializavam o artesanato em feiras da região, seu conhecimento pesou na decisão.

Através do programa Energia Social, da empresa Odebrecht Agroindustrial e contando com recursos do Incra e do BNDS, as cooperadas fizeram curso de corte e costura industrial no Senai, foram capacitadas em cooperativismo e associativismo pelo Senar e ainda receberam noções dos conceitos e práticas de empreendedorismo, leiaute e planos de negócio, com o Serviço de Inovação e Tecnologia do Sebrae.

Além dos seis meses dedicados a cursos e estudos, as cooperadas trabalharam coletivamente em todas as etapas da criação do Núcleo, desde 2011. Sempre contando com assessoria dos parceiros, providenciaram a documentação do empreendimento, conseguiram as aprovações necessárias, adquiriram o equipamento e reformaram o galpão.

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A participação de tantos parceiros no empreendimento é comemorada pelo Incra. Segundo o superintendente regional da instituição em Goiás, Jorge Tadeu Jatobá , “a inclusão da sociedade nessas atividades para o desenvolvimento dos assentados é uma das diretrizes do Incra. A segurança econômica dos trabalhadores rurais é uma forma garantir a permanência das famílias na terra, que é a razão da Reforma Agrária”.

“O objetivo do apoio às comunidades e ao governo local é o de estimular o desenvolvimento sustentável das regiões onde a Odebrecht tem instalações. Priorizamos a participação decisória da comunidade e o incentivo à capacitação dos trabalhadores. E isso tudo cria mão de obra qualificada no município e desperta lideranças locais”, informa Vitório Bredariol, superintendente do polo Araguaia da empresa.

Enquanto vendia doces e artesanato na festa da inauguração, dona Luíza Lima não escondia o orgulho de participar da renovação da Cooperfap, fundada há mais de 20 anos. E o futuro parece promissor também para Cilmar Marques (foto abaixo). Abraçada ao filho, que segundo ela será o futuro integrante do Núcleo atuando no sistema de criação da peças, a cooperada faz questão de frisar que o Núcleo é importante por dar atividade remunerada às mulheres, “mas é mais importante ainda por dar alguma perspectiva aos filhos dos assentados”.

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